OS ENCANTOS DO FUTEBOL DE BOTÃO
| GRITO DO BOTÃO - São Paulo |
Quando criança e também durante a adolescência, jogávamos botão com paixão e entusiasmo. As regras não eram tão importantes. Valia chutar a gol de qualquer lugar na busca alucinada do ver as redes estufadas.
A imaginação tomava conta das partidas. Em alguns momentos durante um jogo, era possível se sentir dentro de campo fazendo jogadas fenomenais, que somente o futebol de mesa permitiria.
Além da imaginação e do entusiasmo que sobrava em campo, havia uma infância inocente e absolutamente meiga, cujo objetivo era a satisfação de poder jogar e vibrar.
Lembro-me dos troféus que eram confeccionados com sobras de madeira e caixinhas de fósforos. Colávamos peça sobre peça, pintávamos os troféus, e colávamos alguns outros apetrechos encontrados nos fundos das velhas gavetas. Era uma felicidade só. Havia uma vibração como as das torcidas organizadas de hoje. Narrávamos as próprias partidas dando uma caprichada na hora do gol. Não havia mesas como as de hoje. Pelo menos, não no bairro onde morávamos.
Muitas partidas eram realizadas no chão avermelhado, o que fazia com que os botões brancos ficassem com resquícios de cera vermelha em suas bases, sem contar os joelhos calejados e as mãos que se arrastavam no “gramado” vermelho.
Hoje a brincadeira é outra. A concorrência é desleal, pois, o velho futebol de botão tenta sobreviver em meio a selva implacável dos jogos de vídeo games. Porém o que vejo hoje é uma infinidade de jogos violentos e agressivos. Jogos que mostram com detalhes o desconfortante derramamento de sangue. E aí eu pergunto: Cadê aquela inocência vista nas partidas acaloradas do futebol de botão nos jogos tridimensionais de hoje? Não é de se estranhar que já foram contabilizados comportamentos agressivos, em crianças que se deixaram influenciar por cargas excessivas de violência explícita, na telinha do vídeo game.
Para ser justo, é preciso falar que existe bons jogos de vídeos games cujo entretenimento é garantido e sem o peso de culpa que a violência tras. É óbvio que não podemos generalizar, e a intenção deste comentário nem é esta.
Creio que os amantes do futebol de botão devem ser como soldados da resistência. E que estes soldados sejam indesistíveis.
Lutemos para garantir as gerações futuras, o mesmo prazer que tínhamos e que ainda podemos ter através do velho e bom futebol de botão.
Futebol de botão sim, violência, não!
Ricardo C.Meni
www.jabulanifuteboldemesa.com.br
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