ENTREVISTA COM MARCELO CEREDA - LIGA MILLE NOVECENTO
Nome: Marcelo
Profissão: Analista de Sistemas
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Nome do time que joga: Qualquer dos meus times
Cidade: São paulo
Regra: É um misto entre a 12 toques a Leva Leva
Time do coração: PALMEIRAS !
ENTREVISTA
GLAUCO - 1 - Como o Futebol de Mesa chegou até você, quais foram suas influências?
MARCELO - Por volta de 1972/1973 comecei a jogar futebol de botão comprando os primeiros times craks da pelota (com carinhas de jogadores) e bolagol.
No princípio o jogo era feito na sala, imaginando o campo em cima dos tacos, depois comprei um campo de papel, que veio em uma revista junto com um time, até que em 1976 comprei meu sonhado estrelão, a partir daí foram muitos campeonatos disputados na Mooca, junto com grandes amigos.
Após uma fase longe dos jogos voltei a jogar no começo dos anos 90 com o meu sobrinho, o Silvio, mas logo paramos. Só retomei em 2003 e venho jogando regularmente até hoje.
GLAUCO - 2 - Como foi o reinício no FutMesa ?
MARCELO - Em 2003 levei os antigos times de lentes de relógio e alguns Brianezi para uma casa que havia construído em Campo Limpo Paulista, e aí retomei o habito de jogar, e comecei a jogar com meus filhos e sobrinhos e com alguns amigos que de vez em quando jogavam. Virou um hábito e depois de participar dos campeonatos do Estádio 97 e o da Brahma, então em 2005 resolvi organizar o primeiro campeonato aqui em São Paulo, e de lá para cá já foram mais de 20 disputas.
GLAUCO – 3 - Você é responsável por organizar um tradicional torneio de futebol amador na cidade de São Paulo. Quando e como surgiu a idéia de fazer os torneios da Mille Novecento Futebol de botão?
MARCELO - A Liga só ganhou este nome agora em 2010. Antes não tinha, meu sobrinho tinha vários amigos que gostavam de jogar na infância, e então em agosto de 2005 trouxemos os campos (nesta época eu tinha comprado 2 Brianezi usados, bem surradinhos...) e os times aqui para São Paulo e fizemos o primeiro campeonato, também participa o Marcos que é um grande amigo meu e com o qual disputava vários campeonatos na Mooca no final dos anos 70. De lá para cá fui conhecendo outras pessoas que também gostavam de jogar, que trouxeram outros amigos, que indicaram para conhecidos, e assim vamos indo.

GLAUCO - 4 - Aonde são realizados os torneios? Qual a estrutura oferecida atualmente?
MARCELO - Os campeonatos são disputados na Zona Norte de São Paulo, alguns foram na casa da minha sogra e outros no salão de festas aqui do prédio. Todos colaboram para pagar o aluguel do salão, compra de troféus e medalhas e também salgadinhos. Normalmente jogamos com 6 mesas.
GLAUCO – 5 - Quantos torneio são realizados anualmente?
MARCELO - São 4 torneios por ano: Copa Sul-Americana, Champions League, Campeonato Brasileiro e Campeonato de Seleções, cada um com times diferentes, por isto não temos clubes brasileiros na Sul-Americana.

GLAUCO – 6 - Quantos participantes fazem parte e já participaram dos torneios da Mille e Novecento?
MARCELO - No total já tivemos aproximadamente 100 participantes contando todas as edições, mas alguns jogadores, deixam de participar, mas sempre temos novos adeptos chegando, normalmente o número fica por volta de 20 jogadores. O maior campeonato que tivemos foi com 24 participantes.
GLAUCO – 7 - Qual a regra praticada nos torneios da Mille Novecento Futebol de botão?
MARCELO - A regra é um misto da Leva Leva com a 12 toques. No início era leva leva pura, mas depois de alguns campeoantos algumas pessoas começaram a fazer "cera", tornando o jogo meio chato. Aí testamos uma adaptação da 12 x 3 toques, mas eu particularmente não gosto muito, então no final ficou somente a limitação de 12 toques por técnico, mas não por jogador. Os times são de lentes, e já tivemos também pessoas jogando com Fradian e Gulliver, mas a partir do próximo campeonato será padronizado para os de lentes. As mesas são 3 de 1,20 x 0,80 e 3 de +/- 1,35 x 0,95. E a bola é o bom e velho disquinho. Isto é uma história a parte, porque no começo tinha alguns antigos e depois comprei alguns times da Crakes. Mas o numero de bolas por campo era limitado, causando muita demora na recuperação da bola que ia para fora da mesa, e todo campeonato se perdem bolas...Depois comecei a jogar com os rodízios de plástico utilizados para cortinas, saia bem baratinhos porque com R$ 6,00 dava para comprar umas 200 bolinhas na 25 de março. Mas estas tem um inconveniente por serem muito leves. Então peguei meu antigo War dos anos 70 e passei os exércitos amarelos e brancos no esmeril. Deram umas bolinhas bem legais, mas o difícil era conseguir ficar com as duas faces paralelas, até que consegui entrar em contato com a Crakes e comprei um bom estoque de bolinhas, são as que usamos atualmente.
GLAUCCO - 8 - Qual a principal diferente de quando jogava antigamente em relação aos jogos de hoje em dia?
MARCELO - Basicamente o campo, antigamente os estrelões ficavam espalhados pelo chão e a gente sentado ou até deitado, hoje em dia colocamos as mesas em cavaletes, também não ia dar mais para jogar no chão ao final de cada jogo não ia haver coluna que aguentasse.
GLAUCO – 9 - Você tem filhos que praticam Futebol de Mesa, nos conte como foi o início dele na modalidade.
MARCELO - Na época que voltei a jogar eles tinham 12 e 6 anos. O Guilherme mais velho, joga e até bem, tem um controle legal e sabe defender bem, mas nunca foi muito de gostar, acabava jogando porque os outros jogavam. Já o Vinicius no começo era aquele negócio de nem pegar na palheta direito, perder de todo mundo, mas ele foi pegando jeito e começou a ganhar jogos, campeonatos, e ganhou o primeiro campeonato aqui em São Paulo com 9 anos. Hoje em dia jogamos bastante, e eu peno bastante para ganhar dele. Sozinho ele prefere vídeo game, mas não deixa de participar nunca de nenhum campeonato.
GLAUCO – 10 - Qual foi o seu maior feito no futebol de mesa ? Você tem um sonho em relação ao futebol de mesa?
MARCELO - Considerando disputa de campeonatos foram os que ganhei nos anos 70 (todos estão devidamente registrados e guardados comigo) e o titulo da IV Copa São Paulo, disputando a final contra meu sobrinho, mas o maior feito é ter conseguido resgatar o gosto pelo jogo, e ter passado isto para os jogadores mais jovens, além de ter conseguido manter a realização dos campeonatos, conhecendo vários novos amigos, e o sonho é que enquanto eu puder continuar organizando os campeonatos.
GLAUCO - 11 - Com que freqüência você costuma dar umas palhetas?
MARCELO - Normalmente 1 vez por semana ou pelo menos a cada 15 dias. Desde os anos 70, além dos campeonatos com meus amigos na Moóca, eu também jogava sozinho, e continuo com este hábito até hoje, organizando temporadas inteiras.
GLAUCO - 12 - Qual foi o maior placar de uma partida que você saiu como vencedor?
MARCELO - Os jogos são rápidos, um tempo só de 10 minutos, nos anos 70 lembro de ter ganho um jogo de 21 x 1, naqueles campeonatos os placares eram bem dilatados, mas com jogos muito disputados, 17 x 16, 18 x 13, 14 x 12, mas hoje em dia são resultados mais "normais", goleadas não lembro, mas placares legais lembro de dois jogos com o Vinicios 9 x 8 para ele e um 9 x 7 para mim, no jogo entre Argélia e Estados Unidos, agora na disputa da Copa do Mundo.
GLAUCO – 13 - Qual a maior goleada que você sofreu?
MARCELO - Domingo passado tomei um 7 x 0 do Israel, no campeonato da Liga Vila Ema. O negócio foi feio, toda bola que ele chutava entrava, acho que no final ele até aliviou, mas mesmo assim foi bem feio...
GLAUCO – 14 - Que esquema tático você costuma jogar?
MARCELO - Costumo jogar com 2 jogadores grudados as traves (já me salvaram várias vezes !), os outros 8 normalmente começo com 2 perto da minha área e os outros 6 perto do meio de campo. No decorrer do jogo quando os jogadores são arrumados costumo retomar este posicionamento. Na tática é só ir levando a bola e se tiver algum jogador melhor colocação tocar para ele chutar.
GLAUCO – 15 - Qual a sua classificação para o futebol de mesa, lazer, esporte, hobby ?
MARCELO - Para mim é lazer, hobby eu uso o futebol de botão, veja bem de botão, para desestressar do dia a dia. É claro que gosto de ganhar, mas no final toda a organização e a preparação do campeonato também me deixam muito feliz, mas às vezes eu sinto que isto acaba me prejudicando um pouco na disputa, mas ainda bem que hoje em dia á tem o Excel e dá para deixar os campeonatos pré-preparados.
GLAUCO – 16 - Você conhece o futebol de mesa Europeu (Sector ball) ?
MARCELO - Sinceramente não tenho muito o que comentar, só vi uns dois vídeos na internet.
GLAUCO – 17 - Temos visto que o futebol de mesa vem crescendo ultimamente, você acredita que em breve vire “febre nacional” igual aconteceu no passado ou ainda futuramente ( 15 a 20 anos) o mesmo pode ser transformado em um esporte olímpico?
MARCELO - Acho difícil tanto uma coisa como outra, infelizmente o público é muito limitado, os garotos que jogam hoje em dia só fazem isto porque tem o pai, um tio, um amigo mais velho que acaba apresentando para eles, gostaria que fosse diferente, mas acho difícil. Quanto a ser esporte olímpico acho que não tem a mínima chance disto acontecer, mas sinceramente eu acho que o Futebol de Botão é mais ou menos como o FUTSAL é muito legal jogar, mas assistir...
GLAUCO – 18 - O que o levou a optar pelo futebol de mesa ao invés de outro esporte?
MARCELO - Sempre gostei de jogar, antigamente praticava outros esportes como Futebol e Basquete, mas hoje em dia estou UM POUCO acima do peso e isto acaba prejudicando um pouco as outras atividades, mas quem sabe se eu der uma boa afinada não volto a disputar as outras modalidades, mas com certeza o botão não será abonado, mesmo porque eu jogo muito melhor botão do que futebol.
GLAUCO – 19 - O que represente o futebol de mesa para você?
MARCELO - Uma grande diversão, mas com sériedade !
GLAUCO – 20 - Qual a parte “ruim” do Futebol de Mesa ?
MARCELO - A mesma coisa ruim de outras competições, a disputa para ganhar a qualquer preço, para mim é diversão, para alguns é um negócio que acaba ficando muito sério.
GLAUCO - 21 - Você alem de jogador é colecionador de botão. Quantos times você tem ? Você ainda guarda alguns botões de infância ?
MARCELO - Atualmente tenho cerca de 200 times, e combinei comigo mesmo que não dá para ultrapassar este número pela falta de espaço para armazenar corretamente, mas não me considero colecionador, pois todos os times estão sempre em atividade, os mais antigos são alguns times da Brianezi, dos anos 70, que eu comprei diretamente na fábrica que ficava no bairro da Água Rasa.
GLAUCO – 22 - Qual a maior "loucura" que ja fez ou viu alguém fazer pelo futebol de mesa?
MARCELO - Foi o Marcelo Minuzzi, um gaucho ter vindo jogar no meu campeonato aqui em SP no final do ano passado !
GLAUCO - 23 - Em sua opinião qual o modelo de botão é o ideal ?
MARCELO - O que eu sempre gostei foram os de estilo tampa, hoje tenho vários Brianezi de várias fases e para mim eles continuam sendo os melhores. Atualmente os melhores deste tipo para mim são os da Crakes.
GLAUCO – 24 - Todos nos já tivemos jogos ou situações memoráveis no futebol de botão, para você, qual foi seu jogo inesquecível ?
MARCELO - Não tanto pelo jogo mas pelo acontecido. Nos anos 70 a garotada se reunia quase todos finais de semana na Mooca para disputar uns campeonatos, e aí resolvemos comprar um pequeno troféu que seria de posse transitória e quem ganhasse 3 campeonatos ficaria com a posse definitiva. Aí lá pelo 9º campeonato eu já tinha dois títulos e o Paulo, meu grande amigo, também. E ficamos para fazer a final do campeonato, Joguei bem e acabei ganhando o jogo, mas com muita reclamação do Paulo. O campeonato era feito no quintal da casa dele, e aí no final do jogo quando ele foi pegar o troféu para me passar a posse definitiva, inconformado com a derrota, ele arremessou a uma distância de mais ou menos 5 metros, e o Marcos, o meu amigo que falei no começo da entrevista, fez uma bela ponte, evitando que o troféu se arrebentasse no chão. Depois disto resolvemos abolir a premiação com troféu e passamos a disputar os campeonatos sem premiação. O fato foi muito marcante e tenho este troféu até hoje.
GLAUCO - 25 - Qual foi o melhor jogador que você já viu jogar ?
MARCELO - Hoje em dia temos muitos ótimos jogadores nos nossos campeonatos, mas lembro muito do Dirceu que era um pouco mais velho do que os garotos da minha turma dos anos 70 e em 4 campeonatos que ele disputou acabou ganhando 3, sempre com um Internacional, dos primeiros modelos da Brianezi. O triste é que eu fui vice em uns 3 campeonatos desses, se ele não tivesse jogado, minha galeria de títulos seria bem maior.
GLAUCO – 26 - Você acha que a oficialização do futebol de mesa e as regras, foi prejudicial ao futebol de mesa?
MARCELO - Acho que não tem espaço para todo mundo, teoricamente uma unificação de regras seria o melhor dos mundos, mas também a graça esta em cada um ter a sua regra, e se eu vou jogar lá na sua casa, tenho que me adaptar as suas regras, com certeza dá para ser um jogador muito mais versátil !
GLAUCO – 27 - O futebol de mesa nos proporciona conhecer e fazer novas amizades. Se fosse para colocar em números mais ou menos quantas pessoas você arrisca dizer que conheceu e fez amizade?
MARCELO - Daquelas mais ou menos 100 pessoas que já disputaram os torneios da Liga Mille Novecento acredito que umas 80 eu só conheci por causa dos campeonatos, e posso te dizer que muitos são pessoas sensacionais, que espero manter a amizade por muito tempo.
GLAUCO – 28 – Obrigado Marcelo por participar da entrevista e parabéns pelo trabalho em prol de nosso esporte/hobby, grande abraço.
Deixe sua mensagem, recado e considerações finais ...
MARCELO - Agradeço a oportunidade e principalmente a paciência por esperar eu conseguir te responder, e gostaria de convidar a todos de São Paulo e região a conhecerem e participarem dos próximos campeonatros da Liga Mille Novecento.
Grande Abraço a todos
Entrevista concedida a Glauco Alan - Responsável pelo blog www.futmesabrasil.blogspot.com e colunista no site Futebol de Mesa News
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Dá-lhe Botão na veia










