FÁBIO RAPOUSO - Botonista e Escudófilo

Olá botonistas !!
O entrevistado de hoje é o botonistas e escudófilo Fábio Rapouso. Vamos conhecer muito mais sobre o futebol de mesa em sua vida .
DÁ-LHE BOTÃO NA VEIA ...
PERFIL
Nome: Fábio Eduardo Pereira Rapouso
Profissão: Publicitário (trabalho na área de criação do setor de marketing da prefeitura de Joinville e sou produtor/radialista)
Página na web: www.escuderias.blogspot.com
Cidade: Joinville
Nome do time que costuma jogar: Fluminense, Portuguesa e Joinville
Regra que pratica: Carioca (3 toques)
Time de futebol do coração Fluminense e Joinville e uma simpatia muito grande pela Lusa.
Entrevista
GLAUCO - Quando começou a dar suas primeiras palhetadas ? Que regra jogava quando criança ?
FÁBIO - Deve ter sido pelos 7 anos de idade, vi algum marmanjo jogando e pedi para meus pais comprarem alguns times. Meus primeiros times foram da Gulliver, aqueles que vinham com becões parrudos e atacantes menores.
Lembro-me que tinha o Flamengo, Fluminense (com fundo amarelo) e São Paulo, por influência de meu pai. Jogava uma espécie de 3 toques, mas tinha uma regra inventada pelos meus amigos de bairro: quando o escanteio era batido pelo meu adversário, o meu goleiro não podia ser mexido, tinha que ficar parado aonde estava antes da cobrança. O goleiro só podia ficar na pequena área.
GLAUCO - Porque parou de praticar ?
FÁBIO - Na verdade tive um trauma com os botões, em 1990, eu devia estar com uns 15 anos tinha, mais de 150 times, naquela época nada era tão acessível como hoje. Então a casa dos meus pais foi incendiada, graças a Deus foram apenas perdas materiais, e lá estava minha coleção. Lembro-me que vi apenas um botãozinho do Náutico (escudo de Placar) “sobrevivente”. Daquele período em diante não me empolguei em começar a coleção de novo. Já era um adolescente então comecei a ouvir música, sair para algumas festinhas, aí já viu né...
GLAUCO - Quando e porque voltou a praticar ? Qual fator preponderante despertou a vontade de jogar novamente e como foi o reinício ?
FÁBIO - Primeiro, foi o nascimento do meu filho em 2007, foi como um flashback, não sei se com todo mudo é assim, mas depois que ele nasceu passei a relembrar minha infância e uma das coisas boas da minha foi justamente o período que descobri o futebol de botão. No começo pensei apenas em fazer algumas artes para ver como ficava e brincar com meus amigos. Mas logo depois que descobri vários blogs especializados no assunto (o escudinhos do Marcos VP foi determinante) passei a levar mais a sério e apresentar meu estilo de fazer escudos. Comprei em seguida campo, bolinha, traves com redes, enfim, a febre voltou... Ah e meu filho adora jogar, nunca forcei nada, apenas jogava perto dele, ele tem só 2 anos e meio e já dá cada palhetada... Quando fizer 3 ou 4 anos darei um campinho pra ele, pra despertar o interesse pelo jogo em si.

Tal pai tal filho
GLAUCO - Qual regra pratica hoje em dia, e com que freqüência pratica nossa nobre arte ? V
FÁBIO - Pratico quando me sobra tempo, tem dias que não tenho tempo nem de dar uma espiada no meu e-mail particular, pois além de trabalhar no setor de marketing da prefeitura de Joinville, apresento e produzo um programa de rock, um de jazz (os dois por uma rádio educativa) e tenho clientes fixos. Mas não deixo de bater minha bolinha. Faço vários torneios internos com meu irmão, alguns amigos e meus cunhados, nem sempre todos aparecem, às vezes vem só um, mas seguimos uma tabela (campeonato paulista, carioca, mineiro, libertadores e por aí vai). Tem times que a gente não abre mão, por exemplo, eu sempre irei jogar com Flu, Lusa e Jec, meu cunhado com o Vasco, o outro com o Flamengo e meu irmão com o Palmeiras. Mas na escolha dos outros times, seguindo a tabela, a gente faz um sorteio. Tem Série A,B e C do Brasileirão, seguindo regras sérias de rebaixamento e etc.. O meu Fluzão por exemplo caiu pra segundona, e a nossa Copa do Brasil, só entra os campeões estaduais e é jogada no segundo semestre. É uma loucura saudável!!!

Jogo numa mesa oficial, o detalhe é que enchi de placas de patrocínio em volta deu um visual muito bacana. Esse detalhe é herança do meu pai, o primeiro campinho que tive foi feito por ele com uma fôrma enorme de bolo, mas o que mais chamava a atenção eram as propagandas em volta do campo. Nos torneios hoje não falta talco para deixar mais lisa a quadra.
GLAUCO - Escale seu time de botão, a sua seleção.
FÁBIO - Minha seleção é: Manga (Rogério Ceni), Carlos Alberto Torres, Djalma Santos (Lúcio), Aldair (Domingos da Guia) e Nilton Santos (Júnior).
Falcão, Didi e Rivelino (Zico). Garrincha, Ronaldo (Romário) e Pelé.
GLAUCO - Quantos botões você tem em sua coleção ?
FÁBIO - Devo ter mais de 100 times
GLAUCO - Qual é o seu time mais antigo e o que você mais gosta ?
FÁBIO - O mais querido é um do Flu, foi o Alexander Meyer quem fez, mas onde era pra ser bordô ficou rosa, colei novos escudos e com ele fui campeão carioca (torneio interno) em 2007. Acabei aposentando, pois fiz um modelo novo usando as lentes do Parruda. Esse Flu foi muito mal das pernas, acabou caindo para segundona, resgatei o modelo do Meyer e retomei as vitórias.
GLAUCO - Você é um grande escudófilo, faz belas artes para botões, e suas artes estão em botões espalhados pelo mundo todo. Conte-nos como e quando começou a fazer e publicar as artes ?
FÁBIO - Comecei em 2007, no início fazia para mim mesmo, resolvi montar um blog por incentivo de amigos e parentes em fevereiro de 2009.
GLAUCO - Em sua opinião, qual a arte mais bela feita por você?
FÁBIO - Eu sou muito crítico comigo mesmo, seja nos trabalhos que faço normalmente ou seja nos escudos que publico. Mas acho que a Seleção russa é um dos melhores times que já fiz.

GLAUCO - Nos conte sobre seu blog...
FÁBIO - Em 2009 resolvi montar o blog que homenageia os times de futebol com escudos para botão depois de ver vários outros que serviram de inspiração. O blog também serve como uma forma de expressar minha opinião a respeito do que acontece no futebol, os escudos são como um brinde. Com o tempo comecei a atender muitos pedidos, alguns no próprio blog e outros por e-mail. A média de acessos atual é de 5 mil visitas por mês e o que mais me surpreende é que muitos estrangeiros visitam quase que diariamente o blog, alguns inclusive fazendo pedidos.
GLAUCO - Quais outros belos sites e blogs, que você indica ?
FÁBIO - Resolvi ter o meu depois de me encantar com o Escudinhos do Marcos VP, mas aconselho visitarem outros como o Sandesign do sergipano Jonathas Sandes ( www.sandesignarts.blogspot.com ), outro muito bom é www.ricardoescudinhos.blogspot.com .
Pra quem gosta de nostalgia indico o Pá-gol. Depois que vi o blog dele relembrei meus tempos de infância, quando ficava na banca esperando bem cedo a revista Placar chegar com os escudinhos do mês(www.aginel-pagol.blogspot.com), mas, sem dúvida o melhor do país é o paranaense Jefferson Carvalho, um verdadeiro estilista dos botões ( www.vitrinedobotao.blogspot.com) .
GLAUCO - Qual o programa de computador que você utiliza para criação das artes ?
FÁBIO - Apesar de muitos acharem que uso o Photoshop, eu uso apenas o Corel Draw, as imagens de fundo (efeito de camisa é o único detalhe que uso no Photoshop) as cores e texturas vou modificando no Corel.
GLAUCO - Em média quanto tempo demora para finalizar as artes?
FÁBIO - Quando faço um bem elaborada como o uniforme 3 da Lusa, Seleção Japonesa ou Seleção Russa, leva umas 3 horas, mas em geral leva uma hora no máximo.

GLAUCO - Entre jogos, confecção de artes e botões, quanto tempo em média você se dedica ao futebol de mesa durante a semana ?
FÁBIO - Contando tudo deve dar umas 16 horas, quando estou muito apurado com minhas atividades profissionais deixo para postar de madrugada, dificilmente fico sem postar minha arte, fico agoniado quando não atualizo.
GLAUCO - Como e com quem você adquire as vidrilhas ?
FÁBIO - No começo comprava do Alexander Meyer, algumas vezes era difícil encomendar com ele, raramente conseguia encontra-lo, até porque ele tinha outras atividades. Então passei a encomendar com o Parruda ( Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo. ). As ultimas vidrilhas que possuo foram doações de um fã do blog, o Gerson Nuevo, são muito boas e de preço bem acessível, o cara que faz é o Sérgio Fedato ( Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo. ). Mas não tenho do que reclamar desses três fornecedores, o material é de primeira!
GLAUCO - Você coleciona botões ? Qual modelo? Quantos times tem ? Qual os mais antigos e de maior valor sentimental ?
FÁBIO - Sim coleciono, tenho muitos: gulliver (modelo simples), estilo brianezzi (dos mais variados tamanhos e tipos), bandeirante, no qual sempre pinto o fundo fica muito show, além de deixar o botão mais resistente, tenho também leader, craks, xalingo (os modelos mais simples, normalmente em nossos torneios internos representam times mais modestos, e olha que volta e meia rola uma zebra), além disso tenho também os novíssimos “oficiais” da gulliver, finalmente a empresa resolveu lançar um modelo mais resistente e mais adaptado pro esporte!
Acho que os mais antigos são um modelo que ganhei do meu amigo Gerson Nuevo, ele vem com um suporte embaixo do botão onde você “encaixa” o escudo que quer. Ele fez para mim o Fluminense, campeão brasileiro de 84 com as carinhas dos jogadores. Dá para substituir por outros escudos, é muito interessante, não sei a marca desse botão, mas deve ser muito antigo. Outro modelo bem velho, esse sim é o mais antigo em minha coleção, eu ganhei de um engenheiro amigo meu chamado Miguel. São vários botões feitos em acrílico e “raspados ou moldados” de forma artesanal, foram feitos na década de 60 no RJ, tem inclusive alguns botões feitos com casca de coco.
O botão que mais tenho “afinidade” é o Fluzão do Meyer que estava jogado as traças, resgatei e com ele reconquistei o campeonato carioca em cima do meu rival de mesa (Alexandre Souza/Flamengo) que é meu cunhado.
GLAUCO - O que o levou a optar pelo futebol de mesa ao invés de outro esporte?
FÁBIO - Na verdade pratico outros esportes como futebol e natação. Já joguei basquete, handebol e fiz alguns meses de atletismo. Mas o futebol de mesa ainda é para mim um esporte cativante, envolvente, onde não conta só a habilidade com a palheta, você tem que ter um raciocínio estrategista, não deve dar oportunidade para o adversário, é muito semelhante ao futebol de campo, e se você monta tabelas como eu, você fica agoniado para que o torneio chegue logo na final. Mas no fundo o futebol de mesa é uma grande diversão, uma interação entre amigos.
GLAUCO - Qual foi a maior “loucura” que você já fez pelo futebol ou futsal de mesa ?
FÁBIO - Toda vez que junta uma turma aqui em casa pra jogar futebol de mesa, já é algo meio doido, fazer torneio, seguir regras criadas por nós mesmos, jogamos a regra 4 toques (adaptamos um toque a mais da clássica regra carioca), mas às vezes penso que ficar me dedicando muitas vezes pela semana pra criar novos times no blog também é algo quase surreal. Tenho uma semana bem agitada, muito trabalho, mas não posso deixar de lado meu blog, quando deixo alguns dias, já começo a ficar muito preocupado.
GLAUCO - Você é um amante do Rock and Roll, você já fez alguma arte de bandas e rock ou equipes que não sejam de futebol ?
FÁBIO - Sim, outra paixão minha é o rock’n’roll, apresento e produzo junto com mais três malucos um programa de rock, que vai ao ar por uma rádio educativa: rádio Udesc FM 91,9 (pode escutar pelo blog erockjoinville.blogspot.com), além disso produzo também um programa de jazz, que vai ao ar nessa mesma emissora.
Nunca pensei em fazer times com essa proposta, mas já vi escudos assim (se eu não me engano foi o baiano Roberto quem postou em seu blog), achei muito interessante e criativo, na época ele fez uma homenagem ao dia mundial do rock.
GLAUCO - Você já jogou o joga com botões profissionais ?
FÁBIO - Nunca joguei e tenho vontade de um dia jogar, talvez não agora, pois vivo numa correria danada, mas por exemplo o botonista gaúcho Luiz Henrique Roza, que é federado e joga na modalidade baiana, veio aqui em casa e conversou sobre o interesse em jogar em São José dos Pinhais, cidade ao lado de Curitiba. O Luiz Henrique Nicolazzi, que é o atual campeão máster de 12 toque também me convidou para ir jogar e trocar umas idéias no Cruzeiro joinvilense, eu tenho a maior vontade de participar, ou pelo menos contribuir de alguma forma, mas vivo um momento de grande atividade profissional que me impossibilita.
GLAUCO - Você acha que as diferenças entre as regras, atrapalha o desenvolvimento do jogo de botão ?
FÁBIO - Acho que atrapalha no sentido de buscar novos participantes, num mundo onde o vídeo game tomou conta da gurizada, é complicado você encontrar novos praticantes que queiram jogar um esporte que possui um número grande de regras e modalidades. Mas, quem gosta se adapta fácil a qualquer uma. Umas priorizam mais a qualidade (12 toques) por exemplo e outras a estratégia (regra baiana), vai muito do gosto de cada praticante e varia muito de região para região.
GLAUCO - Você tem outro hobby alem do futebol de mesa ?
FÁBIO - Sou fã de música, apesar de apresentar um programa de rock há dez anos, gosto muito de música norte-americana de raiz: gospel, soul, funk, country, folk. Estou me divertindo e aumentando meu conhecimento musical agora fazendo a produção do “Jazz in Concert”, o programa foca o universo da música instrumental brasileira, e cada dia eu percebo o quanto ela é rica e marginalizada.
GLAUCO - Você tem um sonho ainda não realizado em relação a nobre arte ?
FÁBIO - Quem sabe um dia participar de um torneio oficial, sei lá. Gostaria de buscar uma forma de incentivar melhor a prática do esporte aqui em Joinville ou até no Estado. Já conversei com o Luiz Henrique Nicolazzi, a respeito disso, e ele achou muito interessante. Acho que antes de buscarmos o incentivo, é necessário tornar o esporte mais difundido, mais acessível a todos, buscar a base, a criançada. Vivemos na era da informação, ninguém tem tempo pra nada, se não nos mexermos, infelizmente o futebol de mesa terá uma queda drástica de praticantes. Acho que existem muitos e muitos praticantes amadores por aí, mas eles ficam escondidos nas casas e garagens, alguns com receio das novas tecnologias ficam até com vergonha de mostra a cara. Gostaria um dia de descobrir ou resgatar esse público e criar uma espécie de escolinha ou mesmo uma liga mais elaborada.
GLAUCO - Que tipo de mesa, palheta e bolinha você costuma utilizar ?
FÁBIO - Como falei sou amador com o a maior orgulho, não tenho nada de muito luxuoso em meu acervo, tenho palhetas simples (pretas básicas), tenho algumas oficias de acrílico, mas as que mais gosto são feitas pelo Meyer, são finas e resistentes para jogar, porém vão ressecam com o tempo.
Bolinhas de feltro, normal...
GLAUCO - Qual partida que você chamaria de inesquecível ?
FÁBIO - Recentemente joguei vários Fla-Flus memoráveis com meu cunhado, ele flamenguista roxo e eu tricolor. Fui campeão carioca depois de uma melhor de três (2x1-Flu, 3x2- Fla e na grande final venci ele nos pênaltis, por 2x1, depois de empatar em 2x2). O jogo inesquecível foi um Fla-Flu anterior a essas finais, ainda na Copa Rio, quando o Fluzão estava desacreditado, venci por 5x4, num jogo muito emocionante.
GLAUCO - Que esquema tático você costuma jogar ?
FÁBIO - Não tenho nenhum esquema, nosso jogos são bem abertos, raramente tem retranca.
GLAUCO - Qual a maior goleada que você sofreu? E qual a maior goleada que já fez? Comente se possível...
FÁBIO - Teve um campeonato carioca que resolvi jogar com o Bangu e tomei logo de cara 5x0 do Botafogo, o pior não foi ter levado a goleada em si, foi ter que ouvir do cara que jogou comigo que ele nunca havia jogado botão em sua vida. Goleada minha, lembro-me agora somente uma bem recente quando joguei com o Joinville e ele aplicou 6x1 na Chapecoense.
GLAUCO - Qual foi o melhor botonista que você já viu jogar?
FÁBIO - Sempre será meu pai, foi com ele que aprendi a jogar e a gostar de botão!
GLAUCO - Por fim deixe sua mensagem,ou recado para os leitores do site e do blog.
FÁBIO - Muito obrigado pelo espaço nesse conceituado blog!
Botonistas amadores (como eu) ou profissionais continuem praticando o nobre esporte com afinco e paixão. Acima de regras e conceitos o que vale é a amizade, a interação e a diversão em torno da mesa!!
OBRIGADO
Entrevista concedida a Glauco Alan, responsável pelo blog www.futmesabrasil.blogspot.com e colunista no site www.futeboldemesanews.com.br .
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