A DÁDIVA DO "JOGO DE BOTÃO"
| COLUNISTAS - SERGIO JÚNIOR |
Quero começar, falando, então, de meu início no botonismo. Nasci nos movimentadíssimos anos 60, mais precisamente numa agradável noite de 15 de novembro de 1967.
Meu pai e minha mãe, com muito custo e carinho, sempre nos deram, a mim e meus irmãos, o que de melhor havia para se tornar uma infância tão feliz... Para começar, carrinhos. Muitos carrinhos!!! Caminhão do Corpo de Bombeiros, carro de Polícia de controle remoto, o inesquecível robô Ar-Tur, os bonecos Falcon, o Forte Apache, Ferrorama... E na TV, o comandante supremo de minha geração: o tão saudoso Capitão Aza ( com Z mesmo... ).
Mas... um belo dia, meu pai chega em casa com uma novidade: dois times dos chamados botões “panelinhas”, da Estrela! Vasco e Flamengo! Aqueles, com o escudo colado em cima, num pequeno baixo relevo. Foi paixão à primeira vista! A propósito, sou vascaíno, mas nunca tive aversão pelo Flamengo. Muito pelo contrário... Quantas vezes fui ao Maracanã, para ver aquele timaço rubro-negro dos anos 70 e 80...
Como eu não tinha, ainda a mesa de botão, fui logo arriscar um “clássico dos milhões” na mesa da cozinha mesmo. Mas na mesma semana, eu ganhava minha primeira mesa, que também era da Estrela... A chamada “Estrelão”.
Fui logo mostrar novidade para os coleguinhas do meu bairro, a lusitana Maria da Graça, Zona Norte da cidade do RJ. E, um a um, meus colegas foram comprando os seus times... O problema era que, nosso bairro foi construído por portugueses, entre eles, meu bisavô e avô, e a maioria aqui era ( e ainda é... ) de vascaínos!!! Nossa, como tivemos Vasco x Vasco!!! Uns, marcavam seu botões com um “x”, ou dava uma pincelada com o esmalte da mãe... O que não podia acontecer, era deixarmos de jogar!!!
Depois, fomos conhecendo os bonitos botões da Gulliver, meu time era do Vasco, mas transparente... O de outro colega, era do Vasco mas em preto... O de outro, em branco... E foi nesta época, nem sei porque, que passamos a usar caixinhas de fósforos como goleiro... Colocávamos dentro dela areia, parafusos, moedas já sem valor e “embrulhávamos” num papel bacana, preto, prateado, dourado... Colando na frente o escudo do nosso time e passando fita durex!
Sei que não queríamos outra coisa, que não “jogar botão”... E mal sabíamos que ainda teríamos tanto por fazer... E nossos brinquedos foram ficando de lado, sendo doados para os mais necessitados e até o futebolzinho com a turma ficava comprometido quando o assunto era jogar botão...
Sergio Júnior
Maria da Graça, RJ.










