FAIR PLAY!
| COLUNISTAS - CLAUDIO MELLO |
Palavra bonita, com som mavioso, mas que poucos de nós conhecemos o significado e, pior, não sabemos como proceder, aplicá-la e se portar dentro do jogo limpo.
Tenho ouvido alguns comentaristas na TV e conversado com pessoas dentro e fora do nosso esporte sobre o assunto epigrafado e vejo que a maioria se reporta ao “fair play” de um modo muito simples e encarcerado dentro uma partida, num momento onde o atleta devolve a bola. Bem, vocês sabem e já viram. Pergunto: É só isso?
Vamos ver! Um jogador cabeça de bagre dá uma bordoada no adversário bom de bola (esse que nós torcedores queremos ver em campo, dando show, aplicando dribles e fazendo belos gols). O coitado caiu cheio de dores e um de seus companheiros, ou então do outro time, coloca a bola pra fora, quase sempre no local onde ela se encontra.
Daí, para recomeçar o jogo o atleta do time que praticou a falta (ou do mesmo time) vai cobrar o lateral. O que ele faz? E sempre? Lança a bola com as mãos para um companheiro que, por sua vez, dá um bicão na redonda e a isola pra bem longe de onde a falta foi cometida. Isso é jogo limpo?
Pergunto por que muitas vezes a bola está no ataque e o time prejudicado vai iniciar a jogada lá nos confins.
Futebol de campo não tem jogo limpo por que os jogadores em sua maioria são mal educados.
No futebol de botão também temos nossos problemas neste aspecto e são muitos e variados. Já modificamos a regra para aparar algumas arestas, principalmente a do chute a gol.
Não vou me isentar, pois somos todos passíveis de errar, mas após algumas reflexões decidi que quero ser feliz jogando e poder, após a partida, abraçar meu oponente.
Vejo muitos botonistas serem gentis, amiguinhos mesmo, quando são lesados pelo outro num jogo, mas após o término falta gente pra escutar a choradeira e pau no outro, que é pra todo mundo saber que o cara é sujeira.
Não estou aqui escrevendo pra defender ninguém e nem julgar os episódios ocorridos dentro de uma partida, nem pra saber ou dizer quem estava certo ou errado, mas apenas quero frisar que jogo limpo se pratica dentro e fora das mesas.
Melhor ainda quando você sabe que o cara é sujeira e apenas joga o teu jogo, ganha do malaco, na boa, na bolinha, na palheta. Isso é praticar jogo limpo.
Outras vezes achamos que o cara nos surrupiou um gol, ou uma jogada. Não duvido, pois já passei por isso, mas em algumas ocasiões nosso adversário realmente não percebeu o gol, nem notou seu erro.
Precisamos agir com educação nestas horas.
No Brasileiro em Curitiba, meu primeiro torneio deste porte, fui desclassificado e parei na Prata. Fui vice campeão num jogo que estava ganhando de 2 x 1 e acabei perdendo por 2 x 3, sendo que o empate era meu, porque meu adversário deu um chutão do meio de campo e mesmo com testemunha dizendo que não foi gol e o barulho da bolinha batendo na trave, o danado foi ligeiramente arrumando seu time para reinício da partida. Fiquei pasmo com a atitude, mas não reclamei, mesmo com uma baita vontade de socar o moleque.
Acabei melhor do ele e aprendi a conhecer os malas da bolinha, como eu os chamo.
Aconteceu um caso igual aqui em Santa Catarina, com gente que eu nunca imaginaria ser capaz de tamanha baixaria e o prejudicado não fui eu e sim outro companheiro que tinha chance de ser campeão com a minha vitória.
Um colega de trabalho no Banco do Brasil chamado Nivaldo tinha umas frases que na época eu achava hilárias, mas acho que servem para compor minha pequena tese. Dizia ele quando levávamos alguma questão pra resolver: “Vamos fazer uma análise crítica e amadurecer a idéia”!
Pois é, vamos todos nós fazermos nossas análises críticas e amadurecermos nossas idéias antes de alcunhar nossos adversários de larápios, pois como dizia meu amado pai Cesar Mello: ”Se não gostamos de alguma coisa em alguém, é muito provável que estejamos fazendo igual, já fizemos ou vamos acabar fazendo”!
Ademais, o futebol de botão é um jogo de cavalheiros, lúdico e divertido, que nos remete aos bons tempos da infância e nenhum de nós, neste Brasil varonil, vai ficar mais rico ou mais pobre se perder uma partida.
Mas que é um pé no bucho é! Eu não gosto de perder, pois sou deveras competitivo, mas me obriguei a aprender a perder. Acho que ainda não assimilo bem algumas coisas, mas estou melhorando.
A coisa mais chata, pelo menos pra mim, é quando o adversário, durante uma partida, começa a pentelhar sobre uma jogada e fica bufando. Amigo! Saio completamente de órbita e demoro pra voltar. Perdi muitos jogos assim, mas estou trabalhando a mente pra não deixar isso acontecer.
Pois é, desde que inventaram o futebol os erros passaram a fazer parte do jogo, mas acho que podemos melhorar muito nosso futebol de botão.
Um final de semana destes, fui bater uma bolinha, quero dizer um dadinho, com a rapaziada do Marcílio e confesso que fiquei admirado com as regras do jogo. Não é meu desejo jogar dadinho, mas as regras são ótimas e mesmo assim ainda falta compreensão ou interpretação.
Quero dizer, que assim como na 12 toques, falta aos atletas compreender e interpretar melhor as regras do jogo. Bem, muito poucos de nós se dão ao luxo de ler as ditas.
Ei! Jogar palheta e socar a mesa é muito feio.
Pra finalizar, no futebol de botão assim como na vida, no trabalho, na maioria dos relacionamentos vamos encontrar dificuldades, mas com certeza elas servem para nos tornar melhores e mais fortes.
Vale a pena ignorar grosserias e pessoas mal intencionadas, mas devemos lembrar que nosso julgamento geralmente é falho.
Até quando vamos agir como cachorros que não podem se encontrar na rua? Quando isso acontece é só latindo um para o outro?
Somos melhores que isso e o futebol de botão está acima dessas pendengas.
Um beijo no coração e fiquem com DEUS.










